Amores

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Dos amores que já computei nesses anos, eu já tive os que magoam, os que ferem, os que beliscam, os que nem cócegas fazem, os que decepcionam, e acho que só não tive os que virão, o que está por vir, ou o que está.

Quando novinha, meu primeiro amor foi platônico, por algum vocalista de boys band, ou pelo Johnny Deep (o primeiro tatuado que me encantei). Não me lembro ao certo. Teve o Marcel, eu tinha uns 10 anos, foi quando meus peitos não existiam, mas minhas amigas já tinham, elas eram gostosas, e eu mais parecia um pau de vira tripa, ele gostava da Paula, eu gostava dele, a Paula ficou com o João na quinta série, e eu com o Tadeu, mas éramos novos demais. Nos bailinhos de casa, (os melhores, os mais falados e os únicos da minha cidade) era uma disputa para dançar com a Paula e a Laura, e eu, só tinha alguém para dançar porque eu era a dona da casa.

Os anos se passaram o Marcel resolveu me ver como potencial feminino de sua caça, ficamos, namoramos, mas antes dele, teve um que tinha 16 e eu 14, ele queria namorar, eu não. Eu não sabia como namorar, porra, eu só tinha 14 anos. Tinha vergonha, ou talvez eu não soubesse ainda que me relacionar era um pequeno problema. Depois adivinha quem reaparece? Marcel, ele tinha a mim, e mais uma. Eu morava em SP e ele em outra cidade, a minha ex cidade. A outra também morava lá, tinha fofoca, tinha intriga, tinha ciúmes, tinha ela, tinha eu, tinha confusão. Não tinha namoro, mas tinha amor.

Os anos se passaram e os amores iam e vinham. Teve o Abdul, teve o outro Marcel, teve o Douglas, o Leopoldo, teve o médico 15 anos mais velho que eu, teve o playboy que mais amava seu cabelo e seu carro do que a mim, teve um de alguns anos, teve um de outros poucos meses, teve aquele amor que começou no carnaval e terminou no carnaval seguinte. Teve o bonzinho, o vilão, o queridinho, o filho da puta. Teve o que me sacaneou, que me enganou e me iludiu, esse me deixou maluca. Mas a culpa não era só dele, a culpa era minha por me deixar levar.

Teve o que me manipulou e até me jogou contra meus princípios e minha família, mudou meu mundo, e me virou, esse me fez crescer, por mais que tenha doído, me trouxe experiência, e me alertou das dificuldades, que o Mundo de Poliana não existe, e que a escolha de Sofia é só um livro. Passou, doeu, poxa, como doeu. Emagreci, bebi, virei no Jiraya, voltei a ser jovem. Voltei para o eixo. Foi-se.

Teve a liberdade, o amor próprio, aaaah, meu melhor amor. O amor a mim, a minha companhia, ao meu silêncio e ao meu barulho. Esse amor me superou. Dominou meu corpo e minha mente, amadureci, quando olhei para mim, e suportei minha própria companhia, entendi uma máxima que ouvi quando menor: “se você não consegue ficar com você mesma, imagina que chata que você não é”, e hoje eu digo, sou legal pra caralho, se não for pra você, que pena, pois pra mim, tá tudo bem.

Mas teve a insegurança, aquela chavinha que aciona quando tudo parece tranquilo, a insegurança te pega de jeito e te seduz… te leva ao seu desequilíbrio, e ai, quando você plim, ela devorou você. E junto com ela sempre vem alguém mais inseguro que você. Ela só vem pra testar. Ela vem pra provar pra você que ela é uma praga pior que Ebola. Quando o amor inseguro chega por perto, é só pra te provar que a vida te reserva algo melhor, e esse algo melhor, pode ser mais uma etapa do seu amadurecimento.

O amor tem que ser leve. Tem que ser livre, tem que ser natural. E tem que ser sim. Quando tem peso demais não é amor, é posse. Quando tem ciúmes demais, não é amor, é insegurança. Quando te poda dos seus desejos não é amor, é competição. Quando te critica demais, não é amor, é só medo. Quando o amor não aceita o que você é, como você é, se não é capaz de suportar seu assunto repetitivo quando bebe, seus porres e vômitos de vez em quando, se não pode esperar você ficar maluco, e ter paciência ao seu lado, mesmo sabendo que você tem que trabalhar daqui há 2 horas e tá doidão, não é amor. Se você não pode sair com seus amigos, olhar seu celular tranquilo, responder uma mensagem e receber uma ligação de um número estranho, isso definitivamente não é amor. O amor chega de mansinho, respira devagar, sopra no ouvido, encontra, desencontra e reencontra; ele não tem data e hora marcada, ele pode ser na infância, ou num casamento. Ele pode vir num reencontro, ou logo depois de uma separação. Ele vem.. e deixa ele chegar. Não barra. Tem medo? Supera. O cachorro do vizinho tem dentes grandes, mas se você quiser pular o muro, você vai pular e sabe que pode se machucar, seja nos dentes dele ou no muro. Mas você não vai encarar?

Ah, o amor é o sentimento mais incrível, e eu acredito na capacidade de amar. Acredito sim. Acredito que já amei, não amei, fui amada, e não também, mas posso amar, uma, duas, três, ou quantas vezes ainda forem necessárias, para que meu coraçãozinho acalme, e encaixe. Tem chinelo velho pra pé cansado, e se não tiver, eu acredito numa pantufa 37 ou 39, calço 38, ela pode ficar meio boa, mas se eu amar e for feliz, é o que interessa. Não tenho a pretensão do grande príncipe, até porque já tive príncipes de várias conduções, bike, moto, carro, metro, jegue e trem; mas da Disney ainda busco o tal final feliz, que pode ser amando um príncipe, ou só amando a princesinha interna que mora em mim.

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