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Existe final feliz?

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Faça-me um favor: feche bem os olhos e imagine os últimos capítulos de um relacionamento hipotético qualquer.

Imaginou?

Não, não quero que me conte nada.

Vou tentar adivinhar as imagens que brotaram em sua mente, posso?

Você imaginou quebra-paus homéricos, lágrimas ao quadrado, olhares raivosos, telefones deletados da agenda, “Não me procure nunca mais!”, quartos sem luz, dias cinzentos e outros elementos que combinam perfeitamente com uma trilha sonora pra lá de corta-pulso (tipo Everybody Hurts, do REM). Acertei? Como eu sei o que rolou dentro da sua cabeça? Simples: a maioria das pessoas, quando pensa no fim de um relacionamento, só é capaz de enxergar tristeza, guerra e sofrimento.

Entendo que, muitas vezes, realmente há motivos para chororô e caninos à mostra. Mas será mesmo que todas as relações precisam deixar um climão de velório quando terminam? Não precisam, respondo. E para provar que me baseei na realidade – e não em delírios etílicos ou em contos de fadas – para chegar a essa conclusão, vou lhe contar um causo verídico: tenho um amigo que fez uma festa para marcar o fim do próprio casamento. Isso mesmo que você leu! E não estou falando de uma suruba em um puteiro, que fique bem claro. Ele e a esposa fizeram um churrasco para informar aos amigos que estavam prestes a se separar. Por quê? Porque o casal queria mostrar que estava tudo à pampa entre as partes e a que não havia qualquer razão para que a turma de amigos se partisse, como consequência da separação. E o churrasco foi muito leve, divertido e cheio de piadas a respeito de sogras e advogados, contou-me um brother que bebeu todas por lá. Não é, no mínimo, um bom ponto de partida para uma reflexão?

É claro que não dá para continuar sorrindo depois de pegar o seu namorado mamando nas peitolas siliconadas da sua ex-melhor-amiga. É óbvio, também, que não é possível segurar as lágrimas de decepção depois de flagrar o seu marido afofando a piroca do seu veterinário. Entretanto, quando fica evidente que uma relação perdeu o combustível necessário para que ela continue a merecer ser chamada de “namoro/casamento”, afirmo: dá para terminar tudo numa boa, sem baixaria, “Minha vida acabou!” e necessidade de matar também a amizade. Juro que dá!

Quando uma relação acaba, não significa que ela não deu certo, como muitos teimam em pensar. Significa que ela deu certo até ali. Percebe a diferença? Não? Quando aquela calça jeans que você usou sorrindo por mais de cinco anos rasgou, você disse “Essa calça não deu certo!”? Não, né? O mesmo raciocínio pode ser aplicado para analisar relações que terminaram por falta de sal e pimenta – e não por escassez de respeito ou excesso de filha da putice.

Desde já, sinto muito – ou não! – pela demasiada dose de realidade que farei você engolir a seco, pois quero lhe informar que nem tudo é para sempre. Aliás, pouquíssimas coisas são. E os fins, diferente do que você costuma pensar, nem sempre significam que a sua vida acabou, que deu merda. O fim de um casamento, por exemplo, pode ser uma decisão que fará extremamente bem aos que guardarão as alianças em uma gaveta e as boas lembranças no coração. Então, se trará inúmeros benefícios, por que precisa ser triste? Hein? Triste, de verdade, é perceber que não dá mais, que a graça evaporou, e, mesmo assim, continuar empurrando com a barriga, dando murro em ponta de faca. Triste, pra caralho, é achar que a amizade deve, necessariamente, morrer junto com o namoro. Não precisa, porra!

E vou além: sabe aquela galera que fala “Ex bom é ex morto!”? Salvo os muitos casos em que o ex se tornou ex por ter feito alguma canalhice, não faz sentido algum. Se você – enquanto estava com ele – sempre desejou o melhor, não tem cabimento torcer para que ele se foda só porque não estão mais juntos. Isso é meninice, cafonice, quadradismo e vai de encontro ao intelecto (expressando-me através de palavras aleatórias retiradas da letra de Você Abusou).

Ok, ok, ok… se você – assim como eu – não evoluiu a ponto de fazer festas para celebrar o fim das suas relações, sugiro, apenas, que comece a perceber que “Acabou” nem sempre é sinônimo de “Fracassamos” ou “Nada do que fizemos juntos valeu a pena”. Às vezes, “fim” pode significar “Obrigado, passado. Vem ni mim, futuro bão!”. Ou qualquer outra coisa que não incha as pálpebras.

Quando a relação está triste, o que impede que o final dela seja algo feliz ou, ao menos, o primeiro passo rumo à felicidade?

Um brinde aos novos começos!

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