Dré Guazelli: Brilha Muito!

Dre-Guazeli

Do final para o começo: o DJ, empresário, produtor, amigo, ativista social e mais alguns outros adjetivos que podem definir Andre Guazelli, também conhecido como Dré, pediu para finalizarmos a entrevista com a seguinte frase: “para quem não tem direção, não existe vento a favor. É como eu me sinto nesse momento”. Dré, nós gostaríamos mesmo é de começar a entrevista com ela. Pode ser?

E foi na direção do vento que o DJ e um dos sócios da agência EQ3 decolou. Hoje, são tantos empreendimentos, projetos e sonhos, que fica difícil de listar. Talvez, andando pelas ruas de São Paulo, ou escalando algumas montanhas na Áustria (ele estava lá ao responder a entrevista), você encontre um outro Dré por aí. Isso porque seu dia parece ter 36 horas, e não apenas as 24h dos meros mortais.

Tudo isso tem explicação: amor pelo que faz.  “Uma vez em que você está inserido no universo que ama, tudo pode virar uma grande multiplicação” comenta. O maior exemplo disso é a INNER Multi.Art, seu projeto mais antigo, cuja primeira edição foi datada em 2005, e no próximo mês completa 9 anos de existência. A festa, que atualmente recebe em média 3.500 convidados por noite,  teve uma constante evolução tanto na forma, quanto no projeto: hoje ela encabeça um complexo chamado INNER.Enterprises, que contempla ideias, vontades e, nas palavras do próprio criador, “algumas maluquices”.

De maluquice em maluquice, aqui você confere a nossa entrevista da íntegra:

Catwalk: Há quando tempo você está no mercado de noite? Como e por que começou?
Dré:
Minha primeira balada foi aos 13 anos de idade na Anzu, depois com 16 ou 17 me levaram para um festival em Alto do Paraíso, que me despertou de uma vez por todas a vontade de aprender a tocar. Fiz um curso de DJ e fui morar uns meses na Califórnia. Com 17/18, organizei a minha primeira festa e desde então a coisa vem evoluindo a cada mês! Comecei sem saber que tinha começado e continuei porque amo muito tudo isso. Não apenas tocar, não apenas a festa, mas o ecossistema inteiro e sua cadeia alimentar.

Aos 19 anos eu passei por um momento em que precisava realmente decidir se eu seguiria esse caminho. Tomei a decisão como sempre fiz e sempre faço: escutando meu estômago e meu coração. Depois de alguns dias, toquei a primeira vez no Manga Rosa e lá fiz uma grande faculdade de warm ups, mexendo com números, promoção e organização da própria noite. Tudo me levou a um aprendizado incrível, com bastante bagagem para criar, recriar e evoluir festas e movimentações – motivação e coragem!

Foi então que me surgiu um convite para abrir um bar, aos 22 anos, minha primeira sociedade: o Sr. Pitanga, que fica na Rua Tabapuã, no Itaim. Hoje em dia, além dele, tenho o Armazém Piola, na Vila Madalena e estamos abrindo a terceira loja de uma marca My Temaki que criamos.

Como DJ, que tipo de som você toca? Você também produz?
O que eu mais gosto de fazer é deixar as pessoas felizes, seja pra uma pista com 15 ou 10.000 pessoas! Toco Deep House, que é um som que me faz acordar, que realmente me instiga. Tenho tocado bastante uma mistura de músicas que escutei minha vida inteira, como Indie Rock, Reggae, Hip Hop. Começou como uma brincadeira e foi muito interessante porque me abriu novos horizontes e ampliou ainda mais minha coragem de colocar o que eu realmente quero, e não ficar com vergonha (rs). Essa mistura musical me levou a ser convidado para tocar no primeiro casamento, e hoje em dia toco em alguns escolhidos a dedo e especiais. Toco também na Casa 92 e em qualquer ambiente que comporte este tipo de som.
Eu adoro produzir músicas, é minha grande terapia além de tocar. Porque eu consigo colocar de dentro para fora todas as experiências e os excelentes momentos e lugares que constroem a escada da vida. Atualmente, não estou parando muito quieto para produzir um álbum, mas farei isso em alto mar daqui a uns dois anos. Sinto que ainda faltam algumas etapas para eu conseguir ficar ainda mais a vontade para doar ao mundo um pouco mais de terapia musical!

Quais foram os locais mais incríveis que você já tocou?
Este ano faz 10 anos que toquei a primeira vez fora do meu quarto. Neste exato momento estou no meio das montanhas na Áustria. Esta é a décima-sexta vez que viajo para tocar fora do Brasil nos últimos 5 anos (Suíça, Áustria, Espanha/Ibiza 6 vezes, Londres, Alemanha, Turquia, Peru e Eua/Ny)! Se fosse para listar lugares, momentos e ambientes especiais, a lista seria muito grande, mas marcos na minha vida são lugares como Universo Paralello, todas as INNER’s – todas, Privilege, Blue Marlin e Ibiza Global Radio, Suíça e Áustria nas montanhas, o primeiro casamento… Nossa me faz lembrar das primeiras tocadas no meu sítio para poucos amigos que valem tanto quanto todas as outras!

Como começou a INNER? Qual era a sua ideia inicial e como ela se desenvolveu para chegar nos dias de hoje?
O início da INNER se deu justamente porque os amigos que eu fazia as primeiras festas (chamadas P2), acabaram seguindo caminhos distintos, então fiz uma festa de aniversário com o nome de INNER (um mix do nome de uma música do Led Zeppelin e Inner Circle a banda). Minha ideia sempre foi sair do ambiente comum apenas com um estilo de som e bebida. Queria juntar  os amigos com decoração, banda, DJ, arte e comidas! A evolução da INNER é constante em todos os aspectos e o motivo disso é que não somos apenas uma festa, e sim um movimento.

Nos últimos 8 anos passamos de 500 pessoas para 3.500 pessoas. Temos uma família de marcas que nos ajudam a transformar este sonho em realidade e a criar mais atividades, mais ação no final das contas. Passamos de 12 artistas para 120, que se dividem em 3 palcos de música (Deep house, Hip Hop no RBMA stage e Indie Rock na pista menor), grafiteiros, artistas plásticos, cenógrafos, fotógrafos, amigos que trabalham com culinária e moda, ou seja, uma deliciosa feijoada! Para manter uma unidade, sempre abordamos temas que eu em algum momento imagino, questiono os amigos a maioria das vezes é sempre muito bem recebido. A INNER Multi.Art #12 será Pachamama – a Mãe Natureza. Faremos, ao invés de flyer, um papel semente para as pessoas plantarem após lerem. Isso para termos um incentivo ou alguma brincadeira para plantarmos árvores. Fizemos isso em janeiro e foi um momento  maravilhoso.

 

Além da INNER, você está à frente de quais outros empreendimentos?
A INNER Multi.Art faz parte hoje em dia de um complexo que chamamos de INNER.enterprises. Uma das ramificações é o INNER multi.help que tem como objetivo levar roupas, brinquedos, alimentos e qualquer outra coisa que possa ajudar a melhorar a vida de quem precisa. Já recolhemos e doamos mais de 2.000 livros em um ano, mais de 2.000 peças de roupa e inúmeros brinquedos. Sempre tento incentivar os amigos a limparem seus armários e suas casas porque o resultado sempre vai ser de pelo menos 20% de coisas que não serão mais utilizadas. Temos a INNER multi.travel, com viagens legais misturando esportes e lugares que gostamos de viajar. Isso nasceu da minha vontade de trazer amigos junto comigo nas viagens para tocar na Europa e vamos replicar isso em lugares escolhidos a dedo no Brasil, obviamente misturando festas e música. Temos o INNER multi.gallery, que é nossa movimentação de sábado de tarde, para expormos todo tipo de arte e comercializá-las a um preço acessível! Na maioria da vezes, reciclamos ou recolhemos material nas ruas, reformamos e fazemos o link com nossos artistas para customizá-los, de outro lado fazemos também customização de produtos das marcas parceiras, como por exemplo um capacete de bicicleta ou um fone de ouvido. Temos o INNER multi.car, no qual tenho parceria com a JEEP e é o carro que me leva a todas as viagens e Gigs em SP ou fora. Além disso, temos o INNER multi.bike que serão grupos de amigos andando de bicicleta juntos por SP. Temos mais algumas loucuras por vir, mas em tudo que fazemos temos algumas obrigações: reutilizar e ampliar a vida de tudo que conseguirmos.

Tenho o Grupo8ito, em sociedade com Guilherme Salles, Eduardo Aga e o grande fera Thiago Bordi, e dentro deste grupo temos 3 agências: A stam1na, que produz eventos e cuida de marcas como Jameson (btl), Red Bull e outras marcas que gostamos muito. A  a Equilátero (EQ3)  que estou ainda mais envolvido, ao lado do Eduardo Aga, Bruno Vicentini e Guilherme Salles. Dentro dela, temos a INNER Enterprises e todos os seus destrinchamentos, nossas noites semanais (quinta-feira Groovelicious na Lions, sexta-feira Damn Fridays no Yacht e sábado a Forward na Lions), além de mais umas 15 festas que acontecem no período de um ano, como a Grill, a Somebody Love, a Farofada, o Coala Festival, entre outras. E a terceira agência que é a 7unel, que cuida de planejamento estratégico e conteúdo, ou seja, uma grande família e fábrica de coisas legais!

 

> Leia também: Catwalk entrevista: Dudu Linhares

Fotos: Dré Guazelli. Créditos: Arquivo Pessoal.

Por: Juliana Diegoli

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