O adeus dos prazeres às vésperas dos 40

Os últimos pedidos de Rafa antes dos 40. Mulheres, corram!

Sábado, 25 de outubro, completei 38 anos. Dá pra acreditar?

Uma das coisas malucas de se chegar aos 40, é a iminente sensação de que tal episódio marcante, os tais 40 em si, consagram uma despedida concreta, absoluta e muitas vezes irreversível, dos prazeres que antes eram companheiros fiéis da vida. E não serão mais, muito em breve.

O tabaco. Eu era um jovem que fumava um cigarrinho ou outro despretensiosamente quando era mais novo. Cigarro mesmo, o bostão, os Marlboro da vida, não a Maconha. Essa eu já provei algumas vezes e não, não faz o meu tipo. Eu já sou muito lesado para lesar mais, e detesto a sensação de não ter saliva na boca, o que não significa que eu goste de beijos babados. E não faz sentido para mim que as pessoas usem uma droga que seca completamente a língua, sendo que a língua é peça fundamental para “bolar” o próximo baseado…

Mas voltando ao cigarro, da minha adolescência a meados dos 30, eu mandava para dentro do pulmão uma ou outra nicotina, preferencialmente acompanhando uma taça de vinho ou uma cerveja na balada. Tive que parar porque a vida é isso aí, uma hora essa merda tem que ser abandonada para sempre. Eu entendi isso, mas meu pulmão nem percebeu que parei com o fumo: por eu morar em São Paulo, capital, ele acha que até aumentei a dose do consumo!

Pois bem, mas com a proximidade dos 40 e o aumento considerável dos cuidados com o próprio corpo, eis que este última passa a exigir de você esse tipo de sacrifício. Nunca mais vou fumar de novo, nunca mais. E o próximo tipo de sacrifício é dissociar a comida gorda, ogra, cremosa, abundante, calórica e suculenta, do maldito cotidiano que passa a exigir salada, legumes, arroz integral e a desgraçada da soja!

Minha semana é como uma palestra do ex-senador Eduardo Suplicy: chata, mas importante. De segunda a sexta, dou lugar aos vegetais e aos ítens verdes que eu preciso ruminar em prol da minha barriga, para que ela não dilate mais. E eu queria mesmo as frituras, condimentos, cremes e gordices que só me encontrarão de novo na noite de sexta até o fim de domingo, como um filho de casal desquitado que vem ver o pai a mando do juiz, ainda que com a supervisão furiosa da mãe que cede o rebento de má vontade.

Terceiro prazer que se vai com quase 40. O do ócio. Ócio mental e físico.

Não pensar em nada é não estimular o cérebro. E o tal sacana, à medida que chegamos perto dos “enta”, tende a se rebelar e dar uns “tiltis”. E nem todo louco ou lesado fica tão legal como o Sílvio Santos na velhice, de modo que é bom tomar cuidado! Logo, no meu cotidiano não tem mais essa de deixar a cabeça clean e desfrutar o nada. Nada coisa nenhuma! É preciso treinar mais a memória e ler muito – e nessa prática, não conta gibi da Turma da Mônica!!

Agora, ócio físico? Não fazer esporte, não correr, não estar inscrito na academia? Impossível!! Ou os prazeres gastronômicos gordos do final de semana darão lugar à ditadura eterna das sementes, caules e leguminosas da segunda à sexta! E ainda assim, mesmo com a melhor das alimentações mas sem nenhum esporte, o quase quarentão VAI ENGORDAR! Aliás, o quase quarentão vai engordar futuramente mesmo se apenas se alimentar da luz do sol. É um fato.

Por fim, dois últimos prazeres que tendem a se despedir de nós ou serem sumariamente dispensados à medida que os 40 se aproximam. Eu ainda não iniciei meu processo de desapego com eles, mas sei que terei de fazer isso logo. E vai doer.

Um dia, é preciso parar de beber. “Mas calma, você pode beber moderadamente!” Ok, explica isso para o meu fígado, não para mim. E não tem essa de beber pouco. A gente, quando bebe, sabe que essa porra é veneno! Pro cérebro, pro sangue, pro coração, pra tudo! Um dia é preciso parar de vez, mesmo sabendo que os produtores californianos estão com vinhos tintos cada vez melhores… E que a nossa cachaça tem evoluído a cada garrafa, ainda que nem todo mundo possa constatar isso depois de iniciar a primeira. Ah, como vai doer esse momento de esvaziar minha adega na pia…

E há o prazer que o quase quarentão não quer conscientemente abandonar, de jeito nenhum. Nem amarrado. Nem em troco do prêmio máximo da Loteria!!! Mas esse prazer abandona o caboclo algum dia, como aquela filha que o pai trata com todo o amor para um dia ir morar com um pé-sujo que faz pulseirinhas na praia e que chama o agora sogro de “brou”. O surgimento dos quarenta é um péssimo presságio. Esse abandono a que me refiro vai rolar mais hora menos hora, cambada. E vai rolar com vocês também, mulheres!! Saindo de vocês mesmas para lhes deixar secas como devia ser a boca do Bob Marley! Um dia, o SEXO vai sair das nossas vidas! Completamente!!!! E nem o tal azulzinho vai ser legal, porque um dia todos nós trocaremos uma transa por um cochilo ou um prato de sopa! AAAAAHHH!!!

Não há muito o que fazer, pessoal. A vida pré-40 sinaliza essa nova realidade: desapega das delícias porque o seu corpo exige isso. E vai ser cada vez mais rigoroso com você!

Eu estou aproveitando os prazeres que me restam enquanto ainda posso. Logo, mulheres… Bora comer no Mcdonald’s sábado, para depois tomarmos um chope na Vila Madá e, se eu aguentar, dar um esticada aqui em casa para um vinho e algo mais? Me aproveitem logo: tem uma coberta quente para os meus pés me aguardando no sofá, ao lado de um prato de sopa de ervilhas e um box de CD’s do Frank Sinatra. Corram pra cá antes que seja tarde!!

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