O Japão é demais!

Escrevo esse texto diretamente do Japão. Ou seja, com o bucho cheio de peixe cru, uma xícara de chá ao lado e um acolhedor quimono escondendo as minhas vergonhas. E quer saber? Estou feliz!

É uma pena que escrever esse texto seja uma das últimas atividades que realizo aqui na terrinha do Godzila. Volto para o Brasil logo mais. Aliás, é uma pena ter que escrever ao invés de sair para comprar mais um Iphone, mas o dever me chama (leia-se “minha editora da Catwalk fica puta se eu não entregar logo essa bagaça!!”).

Olha, vir ao Japão é uma coisa de louco. Especialmente se você for brasileiro e de fato decolar da nossa terrinha: isso significa que você amargará praticamente um dia e meio de viagem de avião, uma vez que há uma escala em algum pico louco como Abu Dhabi, para – apenas muito depois – pousar em um país que te espera com a noite do lugar do dia e te devolve para o sol no lugar da lua. Sacou?

No entanto, uma vez aqui, reitero: vale a pena. E obviamente isso não se deve apenas aos eletrônicos que você pode adquirir por preços convidativos ou ao astral de estar em um lugar onde você acaba se comunicando com as pessoas através de mímicas. O Japão é demais porque os japoneses são um show à parte.

Pense num povo que não grita. Aliás, pense num pessoal que sequer fala alto! Não dá, né? Nós, brazucas, vivemos à base do gogó e temos sangue de Mama Italiana nas veias. Mas os orientais aqui, não. São serenos, discretos, não empostam a voz, andam até sua direção para falar com você no lugar de assobiar buscando sua atenção como quem adverte um cão, chegam dóceis e reverentes e, pasmem!, sequer buzinam no trânsito! Sério: da janela do meu hotel agora, noto um congestionamento na rua abaixo. E as pessoas aguardam sua vez de andar dentro dos carros como se estivessem ninando um bebê recém-nascido!! 

Os japoneses não jogam lixo na rua. A propósito, não me lembro de ter visto um lixeiro, um varredor de rua. Talvez seja porque não há necessidade, uma vez que não se joga nada na calçada por aqui. Claro, com uma Justiça severa e funcional, ninguém se arriscaria. O que é uma pena às vezes, pois já me contaram que no lixo dos japoneses há MacBook’s Air e Ipads que apenas estão com versões anteriores de seus Softwares. Droga!

Outra coisa bonita de se ver: as pessoas que cruzam seu caminho no Japão são acolhedoras e não tentam te sacanear quando você pede ajuda. Se você se perder num passeio em Tóquio, saiba: você está FUDIDO. Você NÃO VAI saber se localizar pelas placas com os “hierógliflos” japoneses e não, não vai conseguir se fazer entender gemendo. A língua japonesa não é só um emaranhado de entonações e murmúrios. Há todo um sentido nesse emaranhado fonético que você jamais saberá, quiçá dominará as vogais. Mas voltando, sua salvação numa confusão mental em Tóquio é o povo japonês. O cara pode não saber nem apontar para a esquerda na sua língua original, mas ele vai se esmerar até ter certeza que você chegará a algum ponto de segurança. É comovente!

No entanto, para que não digam que esse meu texto é puxa-saco demais, claro: os japoneses tem problemas e pecam em algumas coisas também. Afinal, perfeito mesmo ninguém é. Talvez só a Gloria Kalil, que sabe tomar uma sopa sem fazer barulho, mas ainda não pude comprovar.

Já que falei em fazer barulho comendo: sim, os japoneses chupam o macarrão lámen fazendo uma pequena sinfonia salivar que deixará você assustado.

Em quase todo canto, você notará telões, fotos, cartazes ou vídeos com garotas vestidas de colegiais dançando e cantando freneticamente, não raro para um plateia majoritariamente masculina. Elas são umas gracinhas. Mas o som muitas vezes é playback e, ainda assim, elas cantam mal para dedéu!! Não dá não, gente!

Nas casas de banho, caso você for a alguma, entra todo mundo pelado no mesmo ofurô. E não é legal em nenhuma hipótese ou lugar um bando de homem estar pelado junto, a menos que isso seja suruba e seja do interesse do grupo em questão.

Mas em resumo, o Japão é demais sim, e eu recomendo a visita de todos. Tecnologicamente falando, ir à SkyTree de Tóquio, por exemplo, é como sair de 1986 no Brasil e chegar ao futuro no Oriente em 2035. Comer num sushi tradicional é uma experiência e tanto, até porque o salmão aqui não é colorido artificialmente. (Apenas não encharquem os peixes no Shoyu como fazemos no Brasil porque os sushi-mans locais te olham feio – e nunca é bom se indispor com quem tem uma faca). As meninas vestidas de boneca nas ruas são engraçadinhas e é ÓBVIO que você vai querer uma foto delas. Afinal, quem se veste de personagem infantil de Mangá ou protagonista de contos dos Irmãos Grimm no Brasil além da Mari Moon quando bebe? Pois bem, mas saibam: elas não gostam de fotos e podem ficar bravas, mas nunca a ponto de virarem a namorada do Chucky. No Japão há, apesar das girls-teens-bands, muitos músicos excepcionais, como o nativo Kazuhito Yamashita ao violão e a brasileira Lisa Ono com a Bossa-Nova. Nas cidades do interior, já longe da apologia eletrônica futurista, você encontrará japoneses tradicionais com quimonos e tamancos, andando apertados como gordo usando espartilho. Apesar da imagem estar debochada aqui por conta da minha piada, é algo lindo de se ver e é parte de uma arte e cultura milenar. Que mais? Há os famosos Sunacos, mas eu não gostaria de ter de explicar o que é pois isso em muito me comprometeria.

Por fim, há templos lindos e convidativos em muitos locais do Japão. Você poucas vezes terá tanta paz quanto no interior de um deles. Apenas lembre de desligar seu telefone celular e evite gritar para fulano ou ciclano vir correndo para tirar uma foto do pênis gigante no Templo da Fertilidade. No lugar de fazer isso, faça como eu, na foto abaixo: nela, estou rezando para que o homem invente logo o tele-transporte e eu possa voltar mais vezes aqui. Ao menos uma vez a quinze dias, pelo menos, porque isso tudo aqui é legal pra caramba!

Valeu, Japão!!!! Até a próxima!

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