Vista-me com sua nudez

Eu nunca presenciei um milagre. Talvez o mais próximo que eu tenha chegado disso foi quando ela – inteiramente nua – me apresentou a Roberto Bolaño. Não ao próprio, em carne e osso, posto que ele já havia morrido, mas à sua descomunal desumanidade luminosa exposta nos poemas de Los perros românticos, que ela recitou para mim como se fosse um rosário.

Senti que um pequeno milagre poderia estar sendo operado naquele momento. Não só pela combinação perfeita entre palavra e nudez, mas por tudo aquilo que ficava no ar depois de cada verso, de cada olhar compenetrado nas páginas frágeis que continham verdadeiros monumentos, maciços feito a Catedral de Beauvais ou a Grande Muralha da China.

Os olhos estavam fixos nela, em seus seios formosos e na fina curvatura da cintura. Os ouvidos se atentavam a cada sílaba, cada entonação, devorando-as como um grande buraco negro.

Em sua boca explodiam cores, não sons. O magnetismo de uma mulher nua só se compara ao profundo mistério da morte. O abismo do seu sexo nos convida ao pulo, ao salto na fé. A aposta é alta e há sempre o risco do blefe, mas arriscar é preciso quando se trata de amor, quando se trata de corpo, quando se trata do outro. Perdi muito, ganhei pouco. Não sou um bom jogador, já me acostumei com isso. Só o que me conforta o peito é o poema que o corpo dela escreve no meu.

Considero que a beleza seja um dos mais poderosos milagres, esteja ela na vastidão do céu noturno ou na serenidade de um rio manso; no arrepio do toque ou no êxtase do gozo: esses passaram a ser meus pequenos milagres, minha forma de falar particularmente com Deus, desde que experimentei o sagrado nas formas de mulher e verso.

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